A Adoração Adventista Deve Ser Evangélica!

Muito se fala em discussões sobre a adoração adventista em se exaltar e proteger as "doutrinas distintivas" do Adventismo na liturgia, música e culto. Afinal, a nossa contribuição como Igreja ao Cristianismo depende dessas "distintivas", supostamente.

No afã de proteger a nossa identidade adventista, muitos têm caído no extremo de rejeitar como falso tudo o que possa divergir da visão "adventista" de adoração.

O problema é que muito dessa visão "adventista" não se baseia em nada realmente adventista (Sola Scriptura), mas sim em uma mera tradição de se fazer as coisas. Outras abordagens  supostamente 'adventistas que pretendem demonizar ou leonizar certos métodos
acabam inclusive confrontando nossa regra máxima de fé, a Bíblia. 
E lembremo-nos também de que o Adventismo surgiu como uma reação contra as tradições que emperravam a Igreja no fim do período Medieval. Essa reação levou à exclusão dos adventistas americanos das suas igrejas mães e continua hoje ao sermos erroneamente chamados de "seita".

Por isso, ser Adventista não é ser "tradicional" necessariamente; ser Adventista é fazer parte daqueles que defendem a verdade "presente" = o Evangelho. Essa verdade sempre foi e sempre será relevante ao tempo em que a Igreja vive, com a condição de que não anexemos a esse "presente" o saudosismo dos métodos do passado.

Creio ser importantíssimo que, como Igreja e indivíduos, mantenhamos nossa identidade adventista. Afinal, se Deus nos levantou como um povo e nos guiou por experiências que talharam nossa memória coletiva tais como a ênfase na Segunda Vinda e no Santuário, precisamos como Igreja manter essa identidade para sermos fiéis ao chamado divino no passado e por conseguinte, amealhar forças que direcionarão nosso chamado presente e futuro.

Tendo dito isso, creio ser importante ressaltar a primazia e centralidade do Evangelho na adoração adventista sobre quaisquer outras doutrinas. Por isso quando eu digo que a adoração Adventista é evangélica, me refiro à primazia desse aspecto da Adoração, o evangelho. 

Embora a palavra "evangélica" tenha adquirido conotações denominacionais, creio que não devemos esquecer o seu real sentido de "evangelho". Por isso, a palava "evangélica" deve definir a adoração Adventista também. Precisamos dar nossa contribuição ao cristianismo na maneira como vivemos nosso cristianismo/adventismo como "evangélicos".

Para isso, precisamos articular todas as nossas doutrinas à luz do Evangelho, especialmente a nossa visão da adoração. Alguém disse que "Evangelizar não é salvar almas, é formar adoradores." Em outras palavras,

É irrelevante enfatizar o Sábado sem o pano de fundo evangélico
É irrelevante enfatizar o Santuário sem o pano de fundo evangélico
É irrelevante enfatizar as profecias sem o pano de fundo evangélico
É irrelevante enfatizar a "identidade adventista" se nossos irmãos não compreendem o  Evangelho nos nossos cultos
É irrelevante enfatizar a música de boa qualidade quando Evangelho empoeira em nossos púlpitos
É irrelevante enfatizar... 

E assim por diante. Calculo que a reação de alguns leitores vai servir como amostra de quantos priorizam ornamentos  e tradições em detrimento do Evangelho na adoração.



Não quero ser simplista ou superficial neste post. Existem muitas nuances no tema que não dá para abordar de uma vez. Mas fica aqui meu apelo para que comecemos a ir ao cerne das questões de adoração adventista atuais: a nossa falta de identidade "evangélica".


Finalmente, acredito que somente o Evangelho, vivido e pregado com poder, será capaz de reavivar nossas igrejas, tornar relevante nossos estilos musicais e potencializar nossa adoração. Ah, Paulo também já pensava assim quando disse

"Porque não me envergonho do evangelho, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê."
(Rom. 1:16)

Um abraçø~

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